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A espera da Vacina

Foto: Matheus Sciamana/Estadão Conteúdo

Foto: Matheus Sciamana/Estadão Conteúdo

No início de 2021, o Brasil parecia viver entre dois tempos diferentes. De um lado, os hospitais continuavam lotados, as UTIs operavam sob pressão e os telejornais anunciavam recordes sucessivos de mortes. Do outro, a vacinação começava a surgir como uma promessa coletiva de futuro, uma espécie de horizonte capaz de interromper a sequência de perdas que já atravessava o país havia quase um ano.

As primeiras doses da CoronaVac foram aplicadas oficialmente em janeiro. A imagem da enfermeira Mônica Calazans recebendo a vacina foi transmitida ao vivo e ocupou capas de jornais em todo o país. Depois de meses acompanhando apenas curvas de crescimento e números de mortos, os brasileiros finalmente tinham uma imagem associada à esperança.

Mas a chegada das vacinas não significava acesso imediato. A imunização avançava lentamente, atravessada por disputas políticas, atrasos em negociações e dificuldades na aquisição de doses. Enquanto governantes discutiam calendários e contratos, milhões de famílias faziam seus próprios cálculos. Tentavam descobrir quanto tempo faltava para que pais, mães e avós recebessem a proteção que parecia cada vez mais urgente.

Em muitas casas, a espera terminou antes da vacina chegar.

Foi o que aconteceu com Mario.

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