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Hospitais

Foto: Gustavo Basso / National Geographic

Foto: Gustavo Basso / National Geographic

As visitas foram suspensas, acompanhantes deixaram de circular pelos corredores e milhares de pacientes passaram a enfrentar a internação sem contato presencial com familiares. 

O que antes era vivido coletivamente passou a acontecer em solidão. A experiência da doença deixou de incluir mãos dadas, conversas ao lado da cama ou a presença silenciosa de quem acompanha alguém que sofre. Pela primeira vez em larga escala, filhos, pais, companheiros e amigos precisaram assistir ao agravamento da saúde de pessoas queridas sem poder estar fisicamente ao lado delas.

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Foto: Geovana Albuquerque / Agência Saúde DF

Nesse contexto, celulares e tablets passaram a ocupar um espaço inesperado dentro das UTIs. Profissionais de saúde se transformaram em mediadores de encontros que aconteciam através de telas, segurando aparelhos para aproximar famílias separadas por protocolos sanitários. Em muitos casos, o último contato entre pessoas que se amavam não aconteceu através de um abraço, mas de uma ligação interrompida pelo cansaço, pela falta de ar ou pela urgência dos procedimentos médicos. 

Do lado de fora dos hospitais, familiares organizavam os dias em torno da espera por boletins médicos, ligações e pequenas atualizações capazes de alterar completamente o humor de uma casa inteira. A doença deixava de ser acompanhada pela presença e passava a ser vivida pela imaginação, construída a partir de informações fragmentadas que nunca conseguiam traduzir completamente a gravidade da situação.

Foi dentro desse cenário que Bruna Rocha Pires de Porto Alegre viu a mãe pela última vez.

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